A Pátria


“A Pátria!” Eis a minha primeira e última inpiração. Mal empregada musa para tão fraco engenho, bem sei; mas, dando à minha Pátria o que tenho, e oferecendo-lhe tudo o que ainda julgo poder, cumpro com o que devo. Que os “entendidos” me tomem isto por loucas fantasias; talvez tenham razão! que, na verdade, muito ilude o amor. Quero porém morrer sem levar remorsos na minha consciência de português. O amor que consagro a Portugal é uma religião que pode bem ter chegado a fanatismo. Eu sou como as mães… ou como as filhas, que quanto mais vêem prostrado o seu querido filho ou pai, mais sentem crescer por ele a sua ternura. Riam de mim os espíritos fortes e despreocupados; fiquem porém sabendo que, embora o rir seja simpático, eu não rio de os ver rir; antes sinto em mim que deles me compadeço.

(Tomás Ribeiro, In “Mensageiro n.º3”, Lisboa, 1897, pág. X)