A língua portuguesa


Ouvi! A língua é bandeira
da Pátria que reza e canta
Bendito quem, entre tanta
de altiva cor estrangeira
à luz do sol a levanta!

A língua é a alma envolvente
da Pátria de todos nós.
Maldito quem, loucamente
lhe mancha a pureza ardente
ao bafo da escura voz!

Ouvi! A língua em verdade
é ontem, hoje, amanhã;
é fé, esp’rança, saudade
filha e mãe da eternidade,
verbo de essência cristã.

Ó povo, defende-a pura
de ódio, inveja ou negra ideia,
veste-a na graça e candura
do teu linho, sem mistura
de falsa púrpura alheia.

António Correia D’ Oliveira

Língua portuguesa


Madre Língua portuguesa,
sombra dos coros divinos;
– Milagre da Natureza:
De rouca e surda rudeza
Erguida em sons cristalinos!

Língua santa, onde há, escrita,
esta palavra “Jesus”;
ou a ternura bendita
que nos diz: “Mãe” e palpita
na essência da própria luz.

Alta espada de dois gumes,
castelo das cem mil portas:
Língua viva, que resumes,
– rescaldo de tantos lumes! –
o génio das línguas mortas …

Foste a leal companheira
dos meus avós: Quantas vezes,
– Tuba de oiro, à dianteira,-
junto a Deus, à sua beira,
chamavas os Portugueses!

Foste, a abrir-nos o caminho –
mais do que em mão de Gigante,
brônzea espada chamejante …
– Ó Rola dentro do ninho!
ó Leão dilacerante!

Ouvi! – A Língua é Bandeira
da Pátria que reza e canta:
Bendito quem, – entre tanta
De altiva cor estrangeira, –
à luz do Sol a levanta!

António Correia de Oliveira (do livro “A fala que Deus nos deu”)

Eu acredito…


Eu acredito fervorosamente nos destinos da nossa Raça. Um País que, – mais do que fronteiras de montanhas ou rios – criou uma História, uma Língua, uma Arte independente, não pode morrer. Pode ainda a nacionalidade ter um período de obscurecimento abismador…
Façam-lhe ainda pior do que lhes têm feito; a Raça não sucumbirá – e a Nação há-de ressurgir do próprio sangue, das próprias lágrimas do seu calvário.

António Correia de Oliveira (In “Diário de Notícias de 6 de Março de 1920)