No Turbilhão


No meu sonho desfilam as visões,
Espectros dos meus próprios pensamentos,
Como um bando levado pelos ventos,
arrebatado em vastos turbillhões…

Num espiral, de estranhas contorções,
E donde saem gritos e lamentos,
Vejo-os passar, em grupos nevoentos,
Distingo-lhes, a espaços, as feições…

-Fantasmas de mim mesmo e da minha alma,
Que me fitais com formidável calma,
Levados na onda turva do escarcéu,

Quem sois vós, meus irmãos e meus algozes?
Quem sois, visões misérrimas e atrozes?
Ai de mim! ai de mim! e quem sou eu?!…

(Antero de Quental, in Sonetos Livraria Sá da Costa, 1984)

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O que é a democracia?


O que é a democracia? Quem poderá dizê-lo! É o escópulo onde até hoje têm naufragado todas as sociedades.

(In “Cartas de Anthero de Quental” Coimbra, 1921, pág. 115)