A língua portuguesa


Ouvi! A língua é bandeira
da Pátria que reza e canta
Bendito quem, entre tanta
de altiva cor estrangeira
à luz do sol a levanta!

A língua é a alma envolvente
da Pátria de todos nós.
Maldito quem, loucamente
lhe mancha a pureza ardente
ao bafo da escura voz!

Ouvi! A língua em verdade
é ontem, hoje, amanhã;
é fé, esp’rança, saudade
filha e mãe da eternidade,
verbo de essência cristã.

Ó povo, defende-a pura
de ódio, inveja ou negra ideia,
veste-a na graça e candura
do teu linho, sem mistura
de falsa púrpura alheia.

António Correia D’ Oliveira

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O Sonho do Infante


Era uma vez um Português
Que era ousado e valente,
E pensou em descobrir
Novas terras, e outra gente.

No promontório de Sagres
Passou dias a cismar,
E ensinou aos Portugueses,
A arte de navegar.

E encontraram finalmente
No fim de sofrerem tanto,
U jardim a que chamaram
A ilha de Porto Santo.

Com os olhos postos em Deus,
E levando a cruz por guia
Os valentes marinheiros
Chegaram a Santa Maria.

Foram muito corajosos,
e rezando com fervor,
Os heróicos Portugueses
Dobraram o Bojador.

Maria Alexandra dos santos Martinho

A Salazar o Estadista de Portugal!


Resposta de Rogéria Gillemans ao postal do 121º aniversário do nascimento do Oliveira Salazar 

Obrigado por partilhar este belo poema com A Voz Nacional e todos os seus leitores, um bem-haja.

Se mais construísses, mais teriam para destruir!
Se mais amealhasses, mais teriam para roubar!
Se mais protegesses, mais teriam para humilhar!
Se mais edificasses, mais teriam para derrubar!
Se tu pedias para enaltecer a Pátria!
Estes mandam-nos calar!

Se tu eras a honra e glória do Minho a Timor, uma só Nação!
Estes ultrajam, e envergonham Portugal,
como cadáveres imundos que são!

Se tu eras a inteligência, estes não têm aptidão!
Se tu cuidavas do teu povo como braço de produção!
Estes oferecem o desemprego negando-lhes o pão!
Se tu inauguravas hospitais!
Estes mandam-nos fechar, já sem dinheiro,
porque acima da saúde do povo,
os seus bolsos vêm primeiro!

A Nação que construíste já não existe!
Mataram-na, como tu previste!
O teu povo parte foi assassinado!
Pelos escribas do demónio,
que nunca conheceram um arado!

Salazar tu foste um Estadista,
Que Portugal do Minho a Timor,
e o mundo conheceu,
Estes nem nós sabemos o que são,
só sabemos que depois de assaltarem a Nação
já sem mais que roubar, ainda nos roubam o pão!

A Salazar o Estadista de Portugal!

Poema de, Rogéria Gillemans,  Longe é a lua

Ressurreição


É uma Pátria quebrando cadeias,
É um silêncio que volta a cantar,
É um regresso de heróis às ameias,
Da cidade que volta a lutar.

É um deserto que vemos florir,
É uma fonte jorrando de novo,
É uma aurora que volta a sorrir
Nos olhos cansados do Povo.

E já ardem bandeiras vermelhas,
Nos campos há gritos de guerra,
Nas trevas da noite há centelhas,
Das rosas em festa da terra.

Canta o vento nos trigos doirados,
Dançam ondas à luz das fogueiras,
E nas sombras guerreiros alados
Erguem espadas entre as oliveiras.

É uma Pátria de novo sagrada,
Acordada da morte esquecida,
Vitória da nova alvorada:
Lusitânia em giesta florida.

Letra de Diogo Pacheco de Amorim
Música de José Campos e Sousa

Oh Bandeira de Portugal…!


Fonte: Longe é a lua de Rogéria Gillemans, a não perder

Sinto o teu ressonar no meu ouvido;
Como sino ardente!
E no coração o teu murmúrio,
que é arrulho de dor!

Sinto que fulgura com ardores,
a glória das tuas cores…!
Feitas de fogo, esperança,
heroísmo e ideais!

A Bandeira, sonhamo-la imortal!
A flutuar aos ventos da esperança…!
Vivemo-la desde criança;
Queremo-la e amamos como nossa!
Com supremos arrebatos de fervor,
e união!

Ventos trágicos e sinistros tudo nos usurpou!
Tudo o que amamos, tudo o que era nosso!
Pai nobre, doce mãe, tíbio lugar…!
Somos orfãos, erramos dolorosos peregrinos;
Por insólitos caminhos do azar que nos ficou!

Só tu Bandeira! Ficas-te só tu!
Que nunca morras!
Tu és a alma da Pátria;
Debaixo do céu, e sobre o mar!
És o símbolo da nossa idade,
que impõe ao mundo a nossa existência,
e a nossa verdade!

A Bandeira tremula aos ventos,
a nossa história!
No alto do madeiro carcomido do quartel,
do torreão…!
Que soldado há jurado sob ela,
converter-se em herói Pátrio!
P’ra defender até ao último girão,
a honra da Nação!

Poema de, Rogéria Gillemans

PORTUGAL ATRAIÇOADO!


Fonte: Longe é a lua de Rogéria Gillemans

Descarta Pátria minha o manto que vilmente
sobre teus nobres ombros pôs a barbárie cruel,
levanta-te já do pó, e entoa o hino da liberdade!
Empunha a tua Bandeira feita de purpúra,
esperança, e glória!
Desfralda aos ventos, o teu passado,
brasão, lauro, e a tua história!

Teus filhos que se lembrem das virtudes
do teu grandioso pedestal!
Mostrando às nações teu título imortal!
Deixa Pátria amada, que os ventos
ruidosos, da tua destruição,
misturem os teus aos meus,
os hinos do prazer celebrando a tua ditosa,
e contentamento do passado de grande Nação!

Vi pungirem-te a ferro e fogo,
fazendo-te instrumento de vingança cruel,
empunhando a espada da morte desventraram o teu ser!

Pela mão de verdugos apátridas,
que puseram a acha do poder!
E fúnebres ciprestes formaram o teu dossel!
E logo os teus verdadeiros filhos,
aqueles que por ti davam a vida,
Viste proscritos, errabundos, chorosos a divagar…!

Tristes e abatidos de olhos moribundos,
olhando o céu cansados de chorar!
Sabes Pátria querida, quantas vezes chorei a tua dor,
chorei a tua destruição, chorei a tua desdita,
e lamentei contigo o cruel padecer?!

Teus filhos, como Fénix renascidos,
abraçam-te e juram devolver-te
a tua augusta dignidade, entre eles não existem,
Nem servos, nem traidores, nem tiranos!
Pátria idolatrada, que foste cingida de Glória,
Teu passado soberano, te guardará a História!

Poema de, Rogéria Gillemans

No Turbilhão


No meu sonho desfilam as visões,
Espectros dos meus próprios pensamentos,
Como um bando levado pelos ventos,
arrebatado em vastos turbillhões…

Num espiral, de estranhas contorções,
E donde saem gritos e lamentos,
Vejo-os passar, em grupos nevoentos,
Distingo-lhes, a espaços, as feições…

-Fantasmas de mim mesmo e da minha alma,
Que me fitais com formidável calma,
Levados na onda turva do escarcéu,

Quem sois vós, meus irmãos e meus algozes?
Quem sois, visões misérrimas e atrozes?
Ai de mim! ai de mim! e quem sou eu?!…

(Antero de Quental, in Sonetos Livraria Sá da Costa, 1984)