Crise dos combustíveis


“Além do preço do gasóleo, todos os preços dos factores de produção sobrem, enquanto que o que é pago aos agricultores diminui, todos os dias”.

“Há agricultores a falir, sem dinheiro para pagar empréstimos bancários e outros encargos” .

 

José Manuel Lobato, Associação Defesa dos agricultores do Distrito de Braga

A tristeza lusitana


A tristeza lusitana
Embala-a o choro do mar
E às vezes tem um sorriso
Irmão-gémeo de chorar.

Tristeza antiga
Tristeza amiga
Do nosso luar.

Tristeza de Portugal
Baixo e terno soluçar
A tristeza que é só nossa

Tristeza nossa
Nem por flores, nem riquezas,
Nem por prendas sem igual
Ninguém trocar-te quisera
Tristeza de Portugal

Nossa somente
Doce mal
Só de quem sente
Mais suavemente
Que outro qualquer.

Tristeza como a tristeza
D’algum leve passarinho
Que chora co’o coração
E aos pobres diz “coitadinho”

Tristeza imensa
Terna e intensa
Do Algarve ao Minho.

Tem saudade, e saudades
Só as sente e mais ninguém
Quem tem aquela palavra
Para dizer que as tem

O povo de Portugal
Doa ou não ao seu mal
Só ele o conhece bem.

Ó mar que morres na praia
Acasos mortos no mar
Talvez que cantar cuideis
A alma do nosso penar.

Não sabeis, não o sentistes
Lágrimas, dores e tristezas
Só nós sabemos chorar,

A tristeza lusitana
Ninguém fala nela, não
Senão nós que a sentimos
Em lugar do coração.

O nosso amor
O nosso ardor
Tristeza são.


Fernando Pessoa

 

Letreiro


Tudo o que sou o sou por obra e graça
da comoção rural que está comigo.
Foi a virtude lírica da Raça
a herança que eu herdei do sangue antigo.

Foi esta voz que em minhas veias passa
e atrás da qual, maravilhado eu sigo.
Como um licor de encanto numa taça,
assim se quer esse condão comigo.
Olhai-me: – Eu vim de honrados lavradores.
De avós e netos, sempre os meus Maiores
fitaram o horizonte que hoje eu fito.
“O que estaria além da curva estreita?”
– E da pergunta, a cada instante feita.
nasceu em mim a ânsia p’ra o Infinito

António Sardinha – A Epopeia da Planície

Sócrates em selos


José Sócrates queria um selo com a sua foto para deixar para a posteridade o seu mandato no Governo deste país que está de tanga. Os selos são criados, impressos e vendidos. O nosso Primeiro-ministro fica radiante! Mas em poucos dias ele fica furioso ao ouvir reclamações de que o selo não adere aos envelopes.


O Primeiro-ministro convoca os responsáveis e ordena que investiguem o assunto. Eles pesquisam as agências dos Correios de todo o país e relatam o problema.

O relatório diz:
“Não há nada de errado com a qualidade dos selos. O problema é que o povo está a cuspir no lado errado.”

(Recebida por mail)

 

O choque tecnológico


Após o acordo ortográfico que nos irá permitir compreender melhor as novelas brasileiras, bem como alguns jogadores da nossa selecção, chegou o momento da revolução tecnológica. Numa visita à escola secundária André de Gouveia, em Évora, o Primeiro-ministro, José Sócrates, prometeu revolucionar o ensino público de uma maneira frugal, computadores, videovigilância, internet e videoprojectores, um investimento de 400 milhões de euros. Investe-se em quase tudo, até num tratado de Lisboa que iria por a Europa na mão do capitalismo desenfreado (Obrigado Irlanda), esquece-se no entanto a figura principal de todo o processo, o Professor, que num estado desacreditado, terá que para alem de ensinar, também educar os seus alunos, esquecido e amedrontado por um sistema caduco, ele é a personagem que no meio da tanta politiquice “democrática“, irá acarretar as consequências deste desgoverno educacional.

Às mães de Portugal


Ó mães doloridas, celestiais,
Misericordiosas,
Ó mães d´olhos benditos, liriais,
Ó mães piedosas

Calai as vossas mágoas, vossas dores!
Longe na crua guerra
Vossos filhos defendem, vencedores,
A nossa linda terra!

E se eles defendem a bandeira
Da terra que adorais,
Onde viram um dia a luz primeira
Ó mães, por que chorais?!

Uma lágrima triste, agora é
Cobardia, fraqueza!
Nos campos de batalha cai de pé
A alma portuguesa!

Pela terra de estrela e tomilhos,
De sol, e de luar,
Deixai ir combater os vossos filhos
Ao longe, heróis do mar!

Dum português bendito, sem igual
Eu sigo o mesmo trilho:
Por cada pedra deste Portugal
Eu arriscava um filho!

Por isso ó mãe doloridas, pelo leito
De morte, onde ajoelhais,
Esmagai vossa dor dentro do peito
Ó mães não choreis mais!

A pátria rouba os filhos, mas é mãe
A mãe de todos nós
Direito de a trair não tem ninguém
Ó mães nem sequer vós!

Florbela Espanca

10 De Junho, O dia da raça


Ao que parece, levantou-se um burburinho em torno de uma expressão proferida pelo Presidente da República, no 10 de Junho, “dia da raça”.

“…hoje eu tenho que sublinhar, acima de tudo, o dia da raça, o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”.