Posted on Setembro 17, 2009 by Santos
Madre Língua portuguesa,
sombra dos coros divinos;
- Milagre da Natureza:
De rouca e surda rudeza
Erguida em sons cristalinos!
Língua santa, onde há, escrita,
esta palavra “Jesus”;
ou a ternura bendita
que nos diz: “Mãe” e palpita
na essência da própria luz.
Alta espada de dois gumes,
castelo das cem mil portas:
Língua viva, que resumes,
- rescaldo de tantos lumes! –
o génio das línguas mortas …
Foste [...]
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Posted on Julho 28, 2008 by Santos
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar [...]
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Posted on Julho 13, 2008 by Santos
Fiel ao ao sangue, nossa irmã germana,
chora Olivença as suas horas más
junto do rio que tornou atrás,
quando soou a trompa castelhana.
Ó Casa de Antre Tejo-e-Guadiana
lembra-te dela que entre ferros jaz
Não a dobrou a guerra nem a paz,
- fiel ao sangue, o sangue a ti a irmana!
E todo aquele em quem ainda viva
o ardor da Raça [...]
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Posted on Junho 26, 2008 by Santos
A tristeza lusitana
Embala-a o choro do mar
E às vezes tem um sorriso
Irmão-gémeo de chorar.
Tristeza antiga
Tristeza amiga
Do nosso luar.
Tristeza de Portugal
Baixo e terno soluçar
A tristeza que é só nossa
Tristeza nossa
Nem por flores, nem riquezas,
Nem por prendas sem igual
Ninguém trocar-te quisera
Tristeza de Portugal
Nossa somente
Doce mal
Só de quem sente
Mais suavemente
Que outro qualquer.
Tristeza como a tristeza
D’algum leve passarinho
Que [...]
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Posted on Junho 24, 2008 by Santos
Tudo o que sou o sou por obra e graça
da comoção rural que está comigo.
Foi a virtude lírica da Raça
a herança que eu herdei do sangue antigo.
Foi esta voz que em minhas veias passa
e atrás da qual, maravilhado eu sigo.
Como um licor de encanto numa taça,
assim se quer esse condão comigo.
Olhai-me: – Eu vim de [...]
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Posted on Junho 14, 2008 by Santos
Ó mães doloridas, celestiais,
Misericordiosas,
Ó mães d´olhos benditos, liriais,
Ó mães piedosas
Calai as vossas mágoas, vossas dores!
Longe na crua guerra
Vossos filhos defendem, vencedores,
A nossa linda terra!
E se eles defendem a bandeira
Da terra que adorais,
Onde viram um dia a luz primeira
Ó mães, por que chorais?!
Uma lágrima triste, agora é
Cobardia, fraqueza!
Nos campos de batalha cai de pé
A alma portuguesa!
Pela [...]
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Posted on Maio 26, 2008 by Santos
Fala o canhão. Estala o riso da metralha
Os clarins muito ao longe tocam a reunir.
O Deus da guerra ri nos campos de batalha
E tu, ó Pátria, ergues-te a sorrir!
Vestes alva cota bordada e rosicleres
Desfraldas a bandeira rubra dos combates,
Levas no heróico seio a alma das mulheres
E ergue-se contigo a alma de teus vates!
Levanta-se do túmulo [...]
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Posted on Maio 19, 2008 by Santos
Ó mocidade, a voz do mar
Que diz!
Mistério.
Acorda bem. Torna a escutar.
Que diz!
Império.
Levanta-te e vai! Vive! Luta
Olhos no céu!
Reza! Grita, que quem te escuta
É o mar, que é teu.
Luta! Mil anos vais levar
Dois mil ou três?
Começa! Tens de começar
Alguma vez.
Que importa o sol, a chuva, o vento,
Mil anos são um só momento
Na eternidade.
Olha o caminho que [...]
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Posted on Maio 13, 2008 by Santos
Eu hei d’ir de Serra em Serra
Nossa Bandeira mostrar;
Havemos de ser na terra
O que já fômos no mar.
Ninguém me peça que fique
Que eu não quizera ficar;
Sol que brilhaste em Ourique
Tornas de novo a brilhar.
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